Jacob Collins
Sou uma camponesa
E embora não possa
Gostaria de provar:
Não há calos visíveis
Nos pés ou nas mãos
Mas plantei sementes,
Andei dias com o gado,
Arados meus cabelos
Só no roçar do capim,
O pente foi para mim
A carícia da braquiária,
A luz a lua tão clara...
Sou uma camponesa
E embora não possa
É bom que eu o diga:
Os olhos na porteira,
As novenas em abril,
As secas sem cercas,
Os cavalos, as cobras
o rio, o silo, a cana,
São meu mundo real
E lá que me assento,
Isento sapato da lama
Do concreto da cidade...
Sou quieta, sou distante,
Se no peito aperto o mato
Aberto campo no Espaço!


